Todos sabemos que os traços culturais do caboclo, e do índio, representam um modo de vida bastante diferente do modo urbano. O caboclo tem o seu próprio ritmo, e o índio mais ainda. Qualquer gente das cidades estranham quando vêem os índios dormirem em suas aldeias em plena hora de trabalho. E devm estranhar mais ainda quando vêem trabalhar de madrugada ou à tardinha.
O caboclo possui uma singularidade: ele carrega um sistema de parentescos e maneirismos sociais, que expressam um sangue múltiplo da diversidade do índio, do afro e do branco colonizador. No caso da amazônia, mais precisamente o sangue luso mesclado ao tupi. Na cultura cabocla, todos se reconhecem como "parentes", já que as relações consanguíneas são redimensionadas para os agregados e compadres de festas religiosas ou, das relações de casamentos de primos , manos e manas. A espiritualidade católica não criou conflitos e nem extinguiu os mistérios e encantos da floresta e dos rios. Podemos perceber as crenças que não pertencem ao branco colonizador, como do ancestral ameríndio com seus rituais de danças e pajelanças. Não há uma forma de sincretismo como podemos observar em outras regiões do Brasil. Na amazônia, o Pajé mesmo sendo um bom católico, não mistura seus rituais mágicos com os ritos cristãos. Nas comunidades ribeirinhas temos as devoções aos santos de cada lugar, bem com os rituais de pajelança num distrito próximo. Os poderes sobrenaturais dos mitos amazônicos escapam dos poderes dos santos, como é o caso do boto, da cobra grande, da mãe d'água, etc. As crenças de origem amazônica e cristãs completam-se para diferentes objetivos.
Se no imaginário amazônico está em jogo uma pluralidade de elementos culturais, logo não temos uma identidade cabocla específica. O caboclo em si não existe. O termo serve apenas para ser usado pelas gentes das cidades para dar o sentido de cunho racial com propósito de classificação do "eu diante dos outros". Um modo urbano supostamente culto, civilizado e moderno de se diferenciar do homem ribeirinho ou rural do interior amazõnico, signo de inculturação, onde o caboclo é alcunhado de tabacudo, tapuio,etc., Não sabem estes, que a maioria dos habitantes das grandes metrópoles da amazônia apresentam traços físicos do ancestral indígena tanto quanto o varzeano ou o colono da terra firme. E é no meio de toda essa diversidade cultural, onde não há uma identidade cabocla específica, que a a música, a dança e os ritmos amazônicos oriundos do europeu, do indio e do afro, irão gerar a verdadeira "síntese" da cultura regional mais rica do planeta.
A Marujada, um canto dançado presente em todo o Brasil, na forma de um auto dramatizado, inspirado na tragédia marítima da Nau Catarineta. Em Bragança, no nordeste paraense, ela é também um auto dramatizado, só que auto marítimo (também denominado Chegança de Marujos, Barca, Fandango).
A marujada de Bragança, é uma manifestação cultural
tipicamente local, fruto da colonização portuguesa com suas
festividades católicas.
A Marujada bragantina acontece desde 1789, quando os senhores de
escravos permitiram que catorze escravos criassem a Irmandade de
São Benedito, o Santo Negro, e construíssem uma igreja em
sua homenagem . Eles ganharam o direito de divertir-se de
acordo com sua cultura afro. A festa maior acontece no
mês de dezembro, quando os devotos (marujos) percorriam a cidade
imitando o balanço do barco na água.
A marujada de Bragança é dividida em várias danças, como contradança, retumbão, mazurca, valsa, xote, choro e roda. A coreografia do retumbão é o lundum legítimo saido das senzalas.
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