CABOCLO - uma identidade imaginária da amazônia.

Monday 04 January 2010 13:07


CABOCLO, este imaginário cultural amazônico existe?

Todos sabemos que os traços culturais do caboclo, e do índio, representam um modo de vida bastante diferente do modo urbano. O caboclo tem o seu próprio ritmo, e o índio mais ainda. Qualquer gente das cidades estranham quando vêem os índios dormirem em suas aldeias em plena hora de trabalho. E devm estranhar mais ainda quando vêem  trabalhar de madrugada ou à tardinha.

O caboclo possui uma singularidade: ele carrega um sistema de parentescos e maneirismos sociais, que expressam um sangue múltiplo da diversidade do índio, do afro e do branco colonizador. No caso da amazônia, mais precisamente o sangue luso mesclado ao tupi. Na cultura cabocla, todos se reconhecem como "parentes", já que as relações consanguíneas são redimensionadas para os agregados e compadres de festas religiosas ou, das relações de casamentos de primos , manos e manas. A espiritualidade católica não criou conflitos e nem extinguiu os mistérios e encantos da floresta e dos rios. Podemos perceber as crenças que não pertencem ao branco colonizador, como do ancestral ameríndio com seus rituais de danças e pajelanças. Não há uma forma de sincretismo como podemos observar em outras regiões do Brasil. Na amazônia, o Pajé mesmo sendo um bom católico, não mistura seus rituais mágicos com os ritos cristãos. Nas comunidades ribeirinhas temos as devoções aos santos de cada lugar, bem com os rituais de pajelança num distrito próximo. Os poderes sobrenaturais dos mitos amazônicos escapam dos poderes dos santos, como é o caso do boto, da cobra grande, da mãe d'água, etc. As crenças de origem amazônica e cristãs completam-se para diferentes objetivos.

Se no imaginário amazônico está em jogo uma pluralidade de elementos culturais, logo não temos uma identidade cabocla específica. O caboclo em si não existe. O termo serve apenas para ser usado pelas gentes das cidades para dar o sentido de cunho racial com propósito de classificação do "eu diante dos outros". Um modo urbano supostamente culto, civilizado e moderno de se diferenciar do homem ribeirinho ou rural do interior amazõnico, signo de inculturação, onde o caboclo é alcunhado de tabacudo, tapuio,etc., Não sabem estes, que a maioria dos habitantes das grandes metrópoles da amazônia apresentam traços físicos do ancestral indígena tanto quanto o varzeano ou o colono da terra firme. E é no meio de toda essa diversidade cultural, onde não há uma identidade cabocla específica, que a a música, a dança e os ritmos amazônicos oriundos do europeu, do indio e do afro, irão  gerar a verdadeira "síntese" da cultura regional mais rica do planeta.

Monday 04 January 2010 14:09


A música da marujada.

A Marujada, um canto dançado presente em todo o Brasil, na forma de um auto dramatizado, inspirado na tragédia marítima da Nau Catarineta. Em Bragança, no nordeste paraense, ela é também um auto dramatizado, só que auto marítimo (também denominado Chegança de Marujos, Barca, Fandango).

A marujada de Bragança, é uma manifestação cultural tipicamente local, fruto da colonização portuguesa com suas festividades católicas.
A Marujada bragantina acontece desde 1789, quando os senhores de escravos permitiram que catorze escravos criassem a Irmandade de São Benedito, o Santo Negro,  e construíssem uma igreja em sua homenagem . Eles ganharam o direito de divertir-se de acordo com sua cultura afro. A festa maior acontece no mês de dezembro, quando os devotos (marujos) percorriam a cidade imitando o balanço do barco na água.

Três apresentações marcam a Marujada: a primeira no dia de Natal, a segunda no dia de São Benedito – 26 de dezembro. E a terceira  no dia 1º de janeiro. A festa tem a mesma origem que a irmandade de São Benedito: em 1798, quando os senhores atenderam ao pedido dos escravos para a organização da irmandade. Nessa época, foi realizada a primeira festa em louvor ao santo. A manifestação foi mantida e incorporou-se ao lado profano da festa.

Na festividade do município de Bragança, homens "marujos" e mulheres "marujas" percorrem a cidade, numa espécie de bailado, imitando o balanço de um barco na água. A dança é comandada pelas mulheres e acompanhada musicalmente pelos homens, que usam violas, rabecas, violinos, tambores e cavaquinhos. A Marujada de Bragança é dividida em várias danças, como: Contra Dança, Retumbão, Mazurca, Valsa, Xote Bragantino, Chorado e Roda.

A marujada de Bragança é dividida em várias danças, como contradança, retumbão, mazurca, valsa, xote, choro e roda. A coreografia do retumbão é o lundum legítimo saido das senzalas.

A marujada de São Benedito, aqui num improviso com os turistas: http://www.youtube.com/watch?v=5gs7nVeMFFg
Contudo ela é representada só por mulheres, cabendo aos homens a execução dos instrumentos musicais:
http://www.pa.sebrae.com.br/sessoes/servicos/cultura/marujada.asp

Monday 04 January 2010 14:36


O marambiré

O Marambiré mais conhecido no Pará é o de Alter do chão, em Santarém, provavelmente oriundo de Alenquer, onde existe um território dos Quilombolas, comunidade de descendentes de escravos fugidos das fazendas de Santarém. O Marambiré é uma dança de origem afro, mesclado com o índio, em que mistura os elementos do catolicismo. Em Santarém, o marambiré é tradicionalmente apresentado na festa de Alter do chão. Ali pdemos perceber que já está muito estilizado, com a predominãncia de elementos coreográficos do branco colonizador. Apesar de ser devotado a são Benedito, o santo negro, como é comum a todas as manifestações afros no Brasil, o marambiré é redimensionado para a festa da celebração da Trindade, que é o tema da festa de alter do chão, de acordo com o simbolo do sairé. Um canto tradicional do marambiré diz:

Meu São Benedito me dê vida em paz
Até para o ano, festejamos mais,
Até para o ano, festejamos mais.
(Canto do Marambiré )

Outrora, o marambiré era Conhecido  por Cordão do Marambiré ou Sangambira,  uma manifestação de devoção religiosa que misturava dança, música e brincadeiras, durante a homenagem a São Benedito, que começa dia 25 de dezembro e termina em 20 de janeiro.

Os quilombolas afirmam que o Marambiré começou a ser festejado pela comunidade depois que os mocambeiros se fixaram no Pacoval, fugidos das fazendas de Santarém. Assim explica Dona Cruzinha, moradora do Pacoval:

"Os antigos falavam que depois de alcançarem a libertação eles formaram essas danças; aliás, que essas danças eles trouxeram de lá da África, mas que não podiam fazer porque viviam coagidos. Então, depois que se libertaram, passaram a fazer novamente" ( In : Funes, 1995: 342).
A maioria das manifestações afros eclodiram após a abolição da escravatura. Antes, eram reprimidas e muitas foram extintas e outras eram praticadas às escondidas. No caso do marambiré, era utilizado como forma de coermorar o fim da escravidão, do sofrimento e da perseguição. Por meio do Marambiré agradeciam a São Benedito as promessas alcançadas:

"Nós temos o Marambiré como uma graça, ou seja, temos fé (...) em alcançar graça no cordão do Marambiré, com São Benedito" ( Idem: 343-4).

Para dançar o Marambiré, quilombolas do Pacoval formam uma espécie de corte composta pelo rei do Congo, pela rainha do Congo e suas auxiliares, pelos valsares, pelos tocadores e por contramestre, que também é auxiliar do rei. Essa corte representa os antigos reinados da África Central e está presente em diversas manifestações populares no Brasil.

O rei e a rainha enfeitam-se com coroas feitas de papelão, lata ou fibra natural decoradas com flores multicoloridas de papel crepom ou de papel de seda. A rainha e suas auxiliares usam vestidos rodados e bastante coloridos. O rei veste paletó assim como os valsares. Os tocadores e contramestres vestem trajes de estilo marinheiro (camisa azul e calça branca) e capacetes.

As músicas são executadas com instrumentos feitos na própria comunidade: violão, rabeca, cavaquinho, banjo, pandeiro e caixa. Há cantos específicos para cada parte do ritual.

Antes da apresentação do Marambiré há uma oração. O som da caixa dá o sinal para o início da apresentação e chama as pessoas para participarem do cortejo. Cada componente toma suas posições enquanto o rei do Congo canta a primeira música da festa, o "Forma Forma":

Forma, forma seu pelotão
Esta batalha merece um barão
Forma, forma seu pelotão
Esta batalha merece um barão
Em forma para marchar
Vamos depressa, queremos chegar.
 
O marambiré santareno é mais estilizado e comporta mais elementos do branco colonizador, do que do afro, e menos do indio, creio eu. Observe:
:
http://www.youtube.com/watch?v=IkQ42DDSe_M
Aqui uma das fontes para uma melhor pesquisa.
Fonte:
* Ouça o marambiré menos estilizado no final do artigo.
http://www.cpisp.org.br/comunidades/html/brasil/pa/pa_comunidades_amazonas_festa.html

Tuesday 05 January 2010 13:48


A dança das pretinhas de Angola (Santarém-Pa)

Dança das pretinhas da angola

 

"Que preta é aquela que vem acolá, é a pretinha da angola do Umarizal.." (Canto da dança de Angola)

Em Belém, no bairro do Umarizal, existia um entreposto de escravos de onde eles eram distribuídos para vários pontos do Estado. A dança da Angola, ou das pretinhas de Angola, é de origem africana e foi trazida pelos escravos que se estabeleceram nas proximidades do rio Tapajós, mais precisamente em Santarém que, juntamente com o Marajó, se transformou num dos principais locais de difusão da dança.
Dança para mulheres e seus pares, cuja coreografia interpreta o que canta os versos da música. São gestos das ações diárias dos antigos escravos tais como - lavar, cortar, remar, etc., e ao mesmo tempo sinais de alegria,dor, mágoas,  festanças e liturgias.

 Essa dança foi muito cultivada, até o inicio do século passado, quando as escravas africanas e suas descendentes reuniam-se na praça matriz em santarém, em frente à igreja, para a interpretação dessa belíssima manifestação coreográfica.
 De um modo geral, a formação para a dança é de círculo. As danças afro-amazônicas variam muito nos locais onde foram implantadas, mas a maioria delas tem certas caracteristicas em comum. A maioria das danças de origem afro é feita em circulos ou em filas.
 As danças algumas vezes apresentam polititmia,  e o uso de indumentária para o enfeite do simbolismo profano e religioso.
Aqui explorando bem os elementos percussivos afro-amazônicos;

Wednesday 06 January 2010 12:08


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